Desenvolvendo meu primeiro jogo

Lari endless runner screenshot
Lari é um corredor infinito (endless runner) feito na plataforma Unity. Meu primeiro jogo!

Em 2002, quando entrei na universidade, não havia um curso de Desenvolvimento de Jogos (a primeira turma em minha faculdade se formou junto com a minha). Por causa disso, não era incomum que as pessoas da área de computação quisessem aprender o suficiente para criar seus próprios jogos – e muitas escolheram esse caminho por esse motivo. Eu não era uma dessas pessoas; o que me levou à computação era, primeiro, necessidade econômica (os empregos em TI tendem a pagar bem) e, segundo, uma curiosidade genuína sobre computadores e tecnologia.

Eu nunca fui uma gamer. Embora eu adore jogar, não sou uma daquelas pessoas que levam isso super a sério. Não sou particularmente competitiva; não acompanho as tecnologias mais recentes. Parte disso é porque tenho problemas de saúde que fazem alguns jogos serem ainda mais complicados; parte porque eu não tinha dinheiro pra investir em jogos e consoles, de qualquer forma. No entanto, sendo apaixonada pelas artes em geral (e jogos são definitivamente arte), eu admirava os esforços das pessoas que fazem os jogos ganharem vida.

Não foi até 2018, vendo tantos jogos indie ganharem vida e fazer um sucesso retumbante (um ótimo exemplo sendo Undertale), que fiquei interessada na ideia de fazer meus próprios jogos, como uma maneira de passar o tempo. E, mano, que experiência!

Criando Lari

Lari Main Screen
Lari, tela principal.

Lari é um jogo muito simples. Não é a produção mais estelar ou surpreendente, e certamente não é um Undertale. Mas eu consegui. Algo de que me orgulho, porque me mostrou que posso, de fato, fazer um jogo se eu quiser. É um simples corredor (voador?) sem fim, onde você é uma gaivota, Lari (a subordem à qual as gaivotas pertencem), e se esquiva pilares mágicos através de um céu sem fim. Coisas realmente básicas.

Ainda assim, isso me ensinou muitas coisas. Usei a plataforma Unity para desenvolvê-la, pois me sinto mais confortável com ela — tanto porque ela usa C como base para escrever scripts (uma linguagem de programação que eu já conhecia) quanto porque é, bem, grátis! O Unity também possui uma vasta rede de suporte, tutoriais, livros e muito mais que ajudam a aprender a usar a plataforma. Pode não ser a melhor, mas certamente é a mais bem documentada.

Eu queria que Lari gerasse obstáculos aleatoriamente, para que sempre fosse diferente quando você joga. Isso parecia simples, exceto quando não era. Primeiro, havia a questão de gerar objetos em tempo real, tornando diferentes tamanhos, mas não tão pequenos ou tão grandes que tornassem o jogo impossível. Depois, houve o esforço de distanciá-los de tal forma que o jogador não achasse muito fácil ou muito difícil. Infelizmente, ainda não descobri o equilíbrio, e o jogo … é muito difícil. Fazer o quê.

De qualquer forma, Lari é uma coisa que existe agora. Para complementar, procurei uma trilha sonora de música clássica, que não é muito difícil de encontrar fontes de domínio público, e uma estética simples e minimalista que, espero, ainda transmite a mensagem de tranquilidade que eu queria.

Lições aprendidas

Primeiro, não crie um jogo impossível de jogar. Isso não é bom. Heh.

Segundo, comece pequeno. Tipo, muito pequeno. Verifique se é algo que você vai conseguir fazer existir – não há nada mais triste do que projetos inacabados. Se você começar algo enorme antes mesmo de saber o que está fazendo, provavelmente ficará desanimado e entediado quando perceber que criar jogos não é tão fácil quanto parece.

Claro, algumas pessoas criam verdadeiras jóias na primeira vez; mas a maioria de nós não é essas pessoas, e isso não significa que não conseguiremos produzir uma joia no futuro, quando for a hora certa. Não há problema em começar pequeno e experimental e não há problema em tomar o seu tempo e comemorar suas pequenas vitórias. Não se apresse.

De qualquer forma, se você quiser conferir Lari, pode encontrá-lo aqui!

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